4 de abril de 2017

Verificação cíclica de redundância.

Fogem de meu controle as palavras, que viram frases, que viram discursos, que viram monólogos. Diante do silêncio, eu olho para as cinzas e percebo que incinerei tudo o que eu tinha.

Este é o espaço onde eu poderia tentar destilar minha culpa em mil palavras, mas não bastaria. Retroalimentaria o ciclo. Afinal de contas, não há nada que eu deseje que não se realize. E meu desejo agora me destruiria novamente, de uma maneira ainda mais brutal. Vitimizo meu próprio coração com meus anseios egoístas e arrogantes, sem, no entanto, ponderar os danos.

Alucinado, não sei se faço mais mal a mim ou à droga que injetei no braço. "Esta é a última vez", sempre digo, já não mais como se fosse realmente parar, mas anunciando o próximo ciclo. "Esta é a última vez", digo, igual ao ritual de buscar o jornal na porta de casa antes de começar o dia.

É tempo de abandonar esse ciclo, portanto. Minhas emoções estão em guerra total.