18 de maio de 2014

Torpe.

As imagens daquilo que eu enxergava, copo após copo, tornavam-se progressivamente mais turvas e vibrantes. Não via cores, via distinções, reconhecia pessoas quando me concentrava, e nada me escapara da memória, contrariando ao senso comum. Não perdi o equilíbrio e ri de tudo com uma euforia sincera que há muito desconhecia. Foi a primeira bebedeira que tive, bem mais tardia que a de meus amigos. E foi tamanha, que morreria se não vomitasse. Meu organismo se livrou de um estômago cheio de vodka, mas ainda assim estava tão embriagado quanto uma pessoa poderia estar.

Os minutos em que me alienei da festa para recuperar a saúde duraram horas no mundo real. Não desmaiei, e quando retomei as forças ainda estava tão bêbado quanto antes. A partir daí, não censurei nenhuma vontade minha, dei vazão a instintos e desejos que não me permitia antes. Descobri coisas novas da minha sexualidade e conheci o íntimo de pessoas que outrora mal falavam comigo. Nada disse sobre as coisas que me incomodavam e, sem dúvidas, nada mais me incomodou.

No dia seguinte comemorei silenciosamente por não ter sofrido nada daquilo que descrevem como "ressaca", enquanto voltava para casa. Com a consciência tranquila e repleto de uma satisfação excêntrica, reavaliei minhas condutas e tudo me assegurava de não ter feito nada de ruim para ninguém ou para mim. Ao chegar em casa e descansar propriamente, a sensação de paz foi enorme. Deixei pra trás uma uma montanha de satisfações que não precisaria mais dar. E tive diversão bastante para uma semana.